terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Quae sunt Caesaris, Caesari

Ao pé de minha casa há um Minipreço. Para ser mais preciso, nas costas de minha casa, numa rua que consegue ter o pior de Santos e do Bairro Alto. O aspecto dos clientes, como podem calcular, é impecável. Aliás, uma das coisas que me fascina no prédio onde moro é exactamente a sua localização: consoante a porta por onde saio, tanto me sinto em Lisboa como nos subúrbios de Marraquexe.

Nesse Minipreço está uma cigana a pedir esmola. Como se este acto - revelador de uma visão estratégica e ambição dignas de um entrepreneur - não fosse suficiente, fá-lo de costas para a estrada, sentada na margem do passeio, arriscando-se a levar a qualquer momento com um Toyota Corolla no lombar.

Estúpida, sim senhor, mas altamente radical.

5 comentários:

Lourenço disse...

essa ambivalencia (como imagino que diga o luis freitas lobo) do teu prédio é muito boa! so me falta perceber qual é o sentido do titulo em relaçao ao conteudo da posta (nao sei se é a traduçao oficial de post mas adoro). "A Cesar o que é Cesar" nao tem que ver com fazer uma vénia, ou atribuir o mérito a quem deve vê-lo reconhecido, julgo eu. Aliás geralmente a frase é completada ou antecedida por: "a Deus o que é de Deus", portanto terá que ver com a separaçao que historicamente foi sendo feita entre poder secular e poder religioso, predominantemente com o objectivo de obstar à intervençao da igreja no que se considerasse ser área de intervençao do monarca.

van_Zeller disse...

Concordo com a opinião do loli. Mais, acrescento a minha sugestão para o título, já que vamos falar "estrangeiro": credit where credit is due.

ze maria disse...

Exactamente o que disseste loli. "Dai a césar o que é de césar, e a Deus o que é de Deus", foi dito por Jesus, em resposta a um fariseu que O tentou apanhar em falso perguntando se era lícito pagar tributos a César, já que existia um Reino dos Céus (+/- assim). Esperavam que Cristo dissesse que não, de forma a terem legitimidade para o poder condenar à morte por insurreição.

No entanto, isto não tem nada a ver com o post, que se quer bastante menos ambicioso. A ideia, com o título, foi fazer uma adaptação livre do "A César o que é de César", no sentido de "Cada um tem aquilo que merece", ou seja, que se aquela cigana está a pedir no Minipreço é porque realmente não deve muito à inteligência e está ali por alguma razão, rectius, her dumbasseness.

ze maria disse...

ah, and I was feeling latinish as well. uma maluca.

Lourenço disse...

esclarecido, e quanto a sentir-se latinish compreendo-te, ainda hei de aprender falar (imagina o boss que deve ser falar latim bezano lol)