quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Just freakin' teach them how to fish



"Like earlier practitioners of paternalist charity, today’s Africrats propose policies that treat the material effects of Africa’s problems—disease, dirty water, hunger—not their underlying causes, which the West, too, once struggled with. For thousands of years, high rates of death from infectious diseases were the norm throughout the world. Before the twentieth century, Western parents expected to lose at least one of their children to illnesses that are preventable today. Not until late in the nineteenth century did the White House itself have clean water; in 1862, Abraham Lincoln’s son Willie died of typhoid, likely contracted from the mansion’s tainted plumbing. Hunger, too, once darkened what is now the prosperous world, though so effectively has the problem been solved that countries like the United States face a looming obesity crisis."


Pela primeira vez vejo alguém a afirmar publica e fundadamente, que isto do LiveAid não são só rosas; que, se calhar, causa mais prejuízos do que traz benefícios. De um ponto de vista meramente humano-económico, faz muito sentido. É a história do velho ditado: "ao pobre, não lhe dês o peixe, ensina-lhe a pescar", neste caso dito por uma boca (demasiado?) liberal. O artigo - polémico, sem dúvida - critica o excessivo paternalismo ocidental no combate à pobreza em África, argumentando com um case study fortíssimo: o do próprio Ocidente - ver supra. Não obstante a agressividade brutal com que desfaz todas as estrelas que, na sua opinião, alimentam os respectivos egos à custa do continente africano, o texto dá, no mínimo, que pensar.

A ajuda é necessária? Sim, mas não nos termos em que se processa actualmente. But hey, you moron, what if there's no fish at all? Mesmo nesses casos, non gongoa han zangoa. Não percebes, é? Quem é que te mandou vir com o inglês, armado ao pingarelho? When there's a will, there's a way. Happy now? Yes, thank you moron. Amigos imaginários à parte - damo-nos mal -, a grande questão está relacionada, para Michael Knox Beran, não com razões de eficiência, mas ainda - e infelizmente - com razões de eficácia. Pede-se uma ajuda menos espalhafatosa, menos mediática, e que crie as bases para um crescimento e desenvolvimento dos países africanos, em vez de se andar constantemente a tentar remendar.

É extenso, mas na pior das hipóteses, sempre é uma maneira de desenferrujarem o inglês, quase tão boa como ver o Prison Break. Descoberto no blog da Atlântico, revista altamente recomendável.

5 comentários:

CBO disse...

Cheguei aqui via Atlântico e não resisti a "meter a colherada". Em fevereiro do ano passado escrevi no extinto Alembojador acerca das contradições do Live Earth http://alembojador.blogspot.com/2007/02/as-contradies-de-al-gore.html
Creio que vai um pouco na linha do que se pasa com o Live Aid...
Parabéns pelo seu blog.
Entretanto mudei-me e estou aqui:
http://cronicasdorochedo.blogspot.com
Cumprimentos e boas "blogadas"
Carlos B.Oliveira

ze maria disse...

cbo,

quando escrevi isto, estava prontíssimo para começar a trashar o al gore, mas tinha medo de começar a ser olhado de lado na rua por ir contra duas coisas politicamente correctas no mesmo post.

estive a ler o que escreveu, e também me deparei com a mesma contradição - luta contra a poluição através da realização de concertos com infraestruturas de som e luz megalómanas - aquando da iniciativa do Live Earth. Talvez tenham sido apenas utilizadas fontes de energia renováveis, quem sabe..

Obrigado e um abraço,
zé maria

Antonio Gomes disse...

Ze,

Como dizes e bem, nao e politicamente correcto questionar eventos desta natureza. Meio mundo aprova e outro meio adora.

Mas as vezes pergunto-me se estas accoes nao servirao apenas para encher o ego a super-estrelas mimadas que nao sabem o que fazer ao dinheiro. Ou mesmo se nao sao publicidade mascarada de ajuda humanitaria, ja que a cobertura dada pelos media e extensa e roca a pura lamechice.

E claro que se estao a fazer algum bem a mistura nao ha que olhar aos meios. Mas mesmo assim, e como dizes, seria muito melhor que se criassem as bases para um desenvolvimento sustentavel. Nao acredito que mandar construir uma escola ou infraestruturas sanitarias basicas seja mais dispendioso que adoptar uma crianca. Seria menos vistoso, isso sem duvida.

Antonio Gomes disse...

PS - Os teclados alemaes nao tem cedilhas nem acentos.

ze maria disse...

grande antónio, nem mais pah, straight to the point, ou como se diz em alemão...tu lá deverás saber.

abr e espero que esteja tudo a correr bem!