terça-feira, 10 de abril de 2007

Carta aberta



Cara Sarah,

Primeiro que tudo, muito obrigado por enveredares pelo lesbianismo. Não digo que deviam ser todas como tu, porque senão o panorama ficava escasso, mas acho salutar que umas quantas decidam abraçar esse caminho, para bem das fantasias de grande parte dos homens deste mundo, nos quais eu, com muito gosto, me incluo.

Tens uma boa voz, não haja dúvida. Parece que cantas da garganta, não percebo se a voz é rouca e/ou esganiçada, mas ouve-se bastante bem. Um bocado música de gaja, é verdade, mas acho que qualquer gajo se pode dar ao luxo de uma ou outra lamechice de vez em quando. Homem que é homem pode ouvir uma ou outra música de gaja, eventualmente verter uma lágrima -fora as que tem direito quando o seu clube de futebol (soccer) perde- porque lhe aconteceu alguma coisa triste, isso não me choca. Mas sem exagerar, senão não é homem, é fanchonas. Já agora, por curiosidade, o homem da vossa relação, como é que faz? É mulher, tem de agir com um homem, mas no fundo é bicha. Deve ser complicado.

A razão pela qual te escrevo é simples: gosto de uma música tua, Stay, sobretudo do refrão, e como a saquei da net, achei que o mínimo que podia fazer era agradecer-te. Se fosse a ti ficava contente, que eu não sou muito destas músicas, e desta até te posso confessar que gosto muito, talvez por ter chocado com ela num texto increíble que reli agora, onde a música fazia todo o sentido.

Bem, está-se a fazer tarde e amanhã "volto" às aulas, um pincel.

Beijinhos,
Zé Maria Júdice


P.S.- Se quiseres um threesome, tou nessa.

(scroll down for the english version)

Open letter to Sarah Bettens

Dear Sarah,

Before I get started, let me thank you for going lesbian. I'm not gonna say every women should do the same because that way things would be kinda scarce for my team, but it's always nice to have women like you who are willing to follow that road, thus allowing the most widespread fantasy among men to keep on living. For that, Sarah, I'm thankful.

Your voice is good, no doubt about that. It seems like you sing from your throat, and despite being unable to tell if your voice is either husky or something else, it's really enjoyable to listen to. It's somewhat girlish your music, although to be honest I am of the opinion that every man is allowed to hear a girly song every now and then, even shed a tear - and I'm not talking about the ones he's entitled to whenever his soccer(it's pretty big in Portugal) team loses an important game - while he's at it, as long as the reason is valid. However, do that often and you're not a man, you're a queer. Out of curiosity, how does the man of your relationship handles this? I mean, she's a woman that acts like a man but in the end she's gay. It must be tough.

The reason I'm writing you this letter is simple: I like one of your songs, Stay, specially the chorus. Bearing in mind that I didn't have to pay for it since I downloaded the song, I thought the least I could do was thank you for it. Don't get mad at me, if I were you I would be glad, you know I'm not that big a fan of this type of music, the thing is I actually like this song quite a lot. Maybe it was because I crashed into it while reading an increíble text, which I just finished re-reading a few minutes ago, where the music fitted like a glove.

Well I gotta run, tomorrow's my first day after spring break, need to get some sleep.

Kisses,
Zé Maria Júdice


P.S.- If you happen to be a threesome fan, I'm in.

(A pedido de mis compañeros de piso)

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Uma frase genial...

"És tão doce que até me engordas!"

ou a vantagem de ter uns quantos bimbos no msn. Que eu espero que não frequentem este blog. De qualquer maneira, é o chamado risco controlado. Agradecido pela gargalhada.

Much more than a music




É daquelas músicas que transpiram sex appeal. Boa para entrar depois de qualquer uma de Bossa n'Marley. A definite mood setter.

sábado, 7 de abril de 2007

Lynched


Mind if I join you tonight Mr Lynch?

Sure thing Rosé, but be warned, you may not like it in the end, surrealism can get pretty fucked up.

Don't worry, I think I can handle it. To be honest, I think I need to handle it, at least right now.

Let's see if you're up to the challenge. Have fun, just so you know there's no button you can press if you don't like it though, you'll just have to find your own way out.

Thanks Mr. Lynch.

Don't mention it.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Despensamento

"Tudo o que a subcomissária tem dito são inverdades"

Luís Filipe Vieira


A subcomissária veio a público responder que acha Luís Filipe Vieira um redesmentiroso.

O facto da palavra inverdades existir no dicionário não lhe retira o rótulo de ridícula.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

You're not gonna understand it



But this is happiness. And it makes sense.

(promovido cá para cima porque a imagem não aparecia antes)

Música para os olhos


Gosto de pensar que esta malta existe, entre outras coisas, para nos lembrar da utilidade do mute, e para possibilitar aquelas discussões- ao som de cervejas e ao sabor da música- em que ambas as partes entram com a certeza que não vão ser convencidas nem vão convencer a outra parte, as chamadas discussões surdas, intermináveis por opção, neste caso sobre qual dos rabos se abana melhor.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Hide and seek


"Onde é que tá o homem das obras atrasado mental?Oh, não tá cá... Ah, tá aquiiii!"


Desmoronamento de túnel no metro de Pequim faz quatro mortos
(...)
10 funcionários da empresa pública responsável pela obra foram detidos por tentarem encobrir o acidente


Quando confrontados com a polícia, dizque os 10 funcionários taparam a cara com as mãos, para se tornarem invísiveis; espantados com o facto de continuarem a ser vistos pelos senhores lei, que se encontravam já de pistola em punho, decidiram ligar o espelho invencível enquanto sacavam da sua mega-bazooka de raios laser, gritando a plenos pulmões "infinitos mais um tiro em vocês todos". Foi então que os polícias decidiram dizer "rebenta a bolha", porque não valia mega-bazookas, para tristeza dos pequenotes.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Random thought

Leio isto. É frequente ver pessoas a apoiarem-se na miséria alheia para darem graças da sorte que têm, uma atitude no mínimo hipócrita mas inevitável quando não conseguimos perceber isso por nós próprios. Basicamente 100% das pessoas que vão ler este post têm uma vida do caraças.

Agora, o que eu nunca tinha visto era alguém a usar a miséria alheia para verificar que a sua existência talvez não esteja assim tão "cheia"- à falta de melhor palavra- como isso, que a vida é muito mais que viagens, livros, desgostos amorosos, é muito mais do que eu talvez possa imaginar. E a minha imaginação é fértil. Muito bom.

A única coisa que me deixa triste é que o mais provável é ela ter pedido ao taxista para dar a volta ao quarteirão e voltou para o caminho que a vida a forçou a tomar, mas de certeza que, se tiver feito isso, o que romanticamente espero que não, quando chegou a casa deu um abraço mais forte do que é costume à filha.

Bilhética

"Quem gere a bilhética e os lugares é o clube"

Fonte próxima da PSP, a propósito dos problemas que houve no Benfica-Porto


Acabei de aprender uma palavra nova: bilhética, do grego billetus, filha de Philotes e de Baco.

s.m.
Da ética dos bilhetes, da moral dos bilhetes;
Da ética da bilha (vaso, geralmente de barro, bojudo e de gargalo estreito)

Deve querer dizer isso. Eram imorais, os bilhetes. Sacanas.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Start your engines

Vão-se seguir, num intervalo temporal curto - a modos que de uma hora, consoante o tempo que demore a escrevê-los - uma série de posts que o mais provável é não terem nada a ver uns com os outros, e que eu próprio nem sei muito bem o que é que vão ser.

Simplesmente, tenho alturas em que o meu cérebro resolve ligar o turbo, apara as patilhas, mete um bocado de gel na parte superior do couro cabeludo (tem cabelo liso o meu cérebro; porquê? porque não há nenhum gajo que se meta no tunning com cabelos encaracolados, porque senão não podia usar o boné por cima do cabelo espetado com gel) e atira-se para o street racing na Vasco da Gama do meu pensamento.

Por azar, ou talvez não, esta é uma dessas alturas, e estou com o portátil à minha frente, num sofá de 150x70cm, sem sono, sem querer estar com sono, num flashback incrível dos meus primeiros dias de Erasmus.

É verdade, antes que venha aquela malta muita engraçada dizer "epah larga a UHU", gostava de deixar registado em acta que a minha quantidade de álcool no sangue neste momento é inferior em 1,5g/l em relação à que o meu querido amigo António Galiano apresentou numa recente operação stop. Sóbrio que nem um cacho, portanto.

Os posts vão aparecer como se tivessem sido escritos antes deste, para que se leia este post primeiro. Por uma questão de coerência.

Dúvida existencial


Comecei a pensar que não percebia o porquê da expressão sóbrio que nem um cacho. Uma pesquisa no Google fez-me perceber porquê: a expressão não existe com sóbrio, apenas com bêbado.

"Ahhh"

Continuo sem perceber. Nunca vi um cacho bêbado, ou se vi, não reparei, devia ser discreto.

posted @ 03:55

Dogma social II

Sempre que vamos para a noite a achar que nos vamos safar, nunca nos safamos


Decidi promover este também, como o outro das gajas que gostam de "gatinhos". Ambos são cientificamente inquestionáveis.

"Mas, Rosé, porquê o achar assim a puxar para o escurinho?" Simples, caro single-serving blog friend, porque o mesmo não se aplica àquelas noites em que se vai sair com o engate já feito, em que só falta dizer uma ou outra coisa certa, ou esperar que o álcool faça de íman e junte dois corpos. Nesses casos, não achamos que nos vamos safar, sabemos que nos vamos safar, logo o dogma não se aplica.

A linha que separa os dois estados de espírito é ténue, mas altamente identificável. Não é uma questão de confiança, mas sim de atitude inconsciente. Achamos que nos vamos safar quando vamos para a noite com isso em mente, quando nos falaram duma amiga duma amiga que também vai e tem 35 gatinhos em casa. Nessas situações, por estranho que pareça, as probabilidades de safanço passam a 0.

Agora, se não soubermos quem é a amiga da amiga, nem a sua paixão por felinos, e formos com o único objectivo de beber uns copos e desbravar uma grande noite, aí, meus amigos, uma coisa é certa: vai haver escândalo.

posted @ 04:15

Discussões


"Lembras-te a que propósito é que a viabilidade dos carros híbridos tem a ver com a necessidade que sentimos de ter regras e viver em sociedade?"
"Sinceramente não, tou completamente perdido, como é que fomos lá dar?"
"Não faço a mínima ideia."
"Bora começar de novo?"
"Bora."

O giro das discussões é ficar de fora a vê-las.

Aliás, poucas coisas me deram tanto gozo nos últimos tempos como assistir aos infindáveis debates de amigos sobre o aborto, mais concretamente aos saltos de raciocínio que invariavelmente aconteciam, e que levavam a conversa a entrar por assuntos completamente diferentes e em que na maioria dos casos nenhum dos participantes está completamente à vontade. Daí até à especulação -de valores, datas ou acontecimentos- para fazer valer uma posição, é um passo curtíssimo e dado quase sempre de forma rápida.

Gosto sobretudo daquelas pessoas que não discutem, baralham a outra pessoa com argumentos completamente desconexos, e que conseguem saltar do aborto para a necessidade que um país tem de ter fronteiras como se nada fosse, estabelecendo uma ligação mágica que lhes dá toda a razão, até que chega uma altura em que ninguém sabe a quantas anda.

Em quase todas as discussões que temos, se a meio da mesma tivéssemos a coragem e a humildade para parar e dizer "e se começássemos outra vez mas this time sticking to the subject", ia ser muito mais rentável. Contudo, muito menos divertido para pessoas como eu, que gostam é de estar caladas e ir absorvendo aquilo que se aproveita, enquanto se riem para dentro.

posted @ 5:20 (fui comer que tinha fome)