Ontem, dia 23 de Abril, comemorou-se na Catalunha o Dia de Sant Jordi, também conhecido pelo dia da rosa e do livro. Eles oferecem uma rosa a Elas, que respondem regalando-lhes um livro. É basicamente o dia dos namorados para esta malta. As ruas enchem-se de gente, seja casais apaixonados, seja vendedores de rosas e de livros, seja de turistas impressionados com a romaria.
A explicação do dia não é lá muito clara, mas também ninguém se preocupa muito com isso. Cutting things short, existe este costume porque desde o século XV que supostamente tinha lugar na Catalunha, durante este dia, a Feira da Rosa ou dos Apaixonados, em que os homens ofereciam uma rosa às mulheres. Quanto aos livros, surgiu há alguns anos atrás, não sei se ditado pela astúcia da associação de livreiros da Catalunha, já que morreram neste dia Cervantes e Shakespeare, se por um movimento feminista que deve ter achado "injusto" os homens oferecerem a rosa e elas não terem nenhum direito, adquirido por tradição, em responder-lhes. De qualquer das maneiras, a UNESCO deve ter achado graça porque em 95 declarou o dia 23 de Abril como o Dia Internacional do Livro.
Consequência disto tudo? Barcelona transforma-se numa feira gigante, a cidade cheira a cultura e a romance, e há qualquer coisa no ar que leva as pessoas a entregarem-se a dois dos melhores prazeres da vida. Eu fiz o mesmo, e depois de 4 horas de sono, e de um dia de aulas, onde levei uma rosa para a minha clase de españo, composta por 90% de mulheres, de forma a desculpar-me perante a professora da minha ausência na semana anterior, mas não só, gesto esse que resultou na perfeição, e que me garantiu mais um balão de oxigénio, atirei-me para a Rambla da Catalunha, e fui a voar, devagarinho, até à Rambla, aterrando no fim da Rambla do Raval, sem rumo durante 1h30 por mares de gente, rosas e livros, mas com a perfeita noção que estava a ser levado por caminhos certos.
Ah, ia-me esquecendo, estava um dia perfeito de Primavera. Como se tudo o resto não fosse suficiente.




