terça-feira, 24 de abril de 2007

Sant Jordi I


(una rosa en el sant jordi)


Ontem, dia 23 de Abril, comemorou-se na Catalunha o Dia de Sant Jordi, também conhecido pelo dia da rosa e do livro. Eles oferecem uma rosa a Elas, que respondem regalando-lhes um livro. É basicamente o dia dos namorados para esta malta. As ruas enchem-se de gente, seja casais apaixonados, seja vendedores de rosas e de livros, seja de turistas impressionados com a romaria.

A explicação do dia não é lá muito clara, mas também ninguém se preocupa muito com isso. Cutting things short, existe este costume porque desde o século XV que supostamente tinha lugar na Catalunha, durante este dia, a Feira da Rosa ou dos Apaixonados, em que os homens ofereciam uma rosa às mulheres. Quanto aos livros, surgiu há alguns anos atrás, não sei se ditado pela astúcia da associação de livreiros da Catalunha, já que morreram neste dia Cervantes e Shakespeare, se por um movimento feminista que deve ter achado "injusto" os homens oferecerem a rosa e elas não terem nenhum direito, adquirido por tradição, em responder-lhes. De qualquer das maneiras, a UNESCO deve ter achado graça porque em 95 declarou o dia 23 de Abril como o Dia Internacional do Livro.

Consequência disto tudo? Barcelona transforma-se numa feira gigante, a cidade cheira a cultura e a romance, e há qualquer coisa no ar que leva as pessoas a entregarem-se a dois dos melhores prazeres da vida. Eu fiz o mesmo, e depois de 4 horas de sono, e de um dia de aulas, onde levei uma rosa para a minha clase de españo, composta por 90% de mulheres, de forma a desculpar-me perante a professora da minha ausência na semana anterior, mas não só, gesto esse que resultou na perfeição, e que me garantiu mais um balão de oxigénio, atirei-me para a Rambla da Catalunha, e fui a voar, devagarinho, até à Rambla, aterrando no fim da Rambla do Raval, sem rumo durante 1h30 por mares de gente, rosas e livros, mas com a perfeita noção que estava a ser levado por caminhos certos.

Ah, ia-me esquecendo, estava um dia perfeito de Primavera. Como se tudo o resto não fosse suficiente.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Acçao inata


Couto marca no triunfo (4-3) em Palermo

Dizque, depois do tento e do costumeiro mortal, foi directo, inocentemente, à cal da linha de fundo. Para estar mais perto dos tiffosi, claro.

As saudades que tenho daquela voz imponente nas conferencias de imprensa da selecçao. Gosto de pensar que o Ricardo está lá por isso, qual Fernando Couto enluvado do Montijo.

This is good marketing


Andava há 3 anos a falar disto, desde um Sao Martinho longínquo, no fim dum habitual jantar fora no Largo(?), fruto duma memorável estadia no Amável. Curioso ser confrontado com isto por intermédio do Barbas, também conhecido por meu pai.

Com um self-marketing destes, confesso que fico tentado a ligar-te, quanto mais nao (o til nao funciona lo siento) seja para te dar os parabéns, Sheila. Mereces um muita bem.

sábado, 21 de abril de 2007

Reality check

1, 2, 3, reality.
Check.

Re-a-li-ty.
Hey, don't make fun of it.
Sorry.

Reality.
Check.


Noite diferente. Talvez mais do mesmo, se observada desinteressadamente, mas desta vez de um mesmo diferente. Noite feita de descobertas, de revelações que talvez não devessem ter saído do sítio onde estavam escondidas, mas que ao mesmo tempo iam pedindo para sair. Talvez sim, talvez não. Noite feita de conversas francas, frontais, daquelas que só se têm com amigos que, quando nos olham, vêem mais do que os outros, em que certas palavras levam com elas uma agressividade, brutalmente honesta, que só um certo grau de amizade permite.

Um wake-up call que se deixou dormir, num acto de lucidez surpreendente.

Noite diferente. Mas gira. Sem talvezes. Já os dias, têm sido passados em meditação. Profunda. Trascendental, vá, pela graçola.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

mojo-Jojo

19:45, em minha casa, eu e Lacerda no quarto.

"Epah por acaso o teu Ipocket é que me dava jeito, perdi o cabo do meu Ipod e não o posso carregar, deixas-me levar sff?"

"Claro, na boa."

"Gracias"

Sensivelmente 45 min mais tarde, já no ginásio.

Estou tranquilamente a ouvir música, a meio de uma série, quando entra o mais recente hit de Jojo, Too Little Too Late. Na MTV Espanhola, pensariam vocês? Antes fosse. No leitor de mp3 de Pedro Lacerda.

O choque tomou conta de mim, percorreu-me a espinha e bloqueou qualquer capacidade de raciocínio e de movimento, levando a que os pesos da máquina descessem a uma velocidade alucinante, chocando com os que estavam a descansar e não tinham nada a ver com o gosto musical no mínimo dúbio do meu amigo, chamando a atenção duns quantos health freaks que se pavoneavam por lá.

Vá lá que a seguir veio José Cid com Favas com Chouriço para me tranquilizar. Acho que soltei um "ufa". Ou talvez fosse um "livra".

Tinha de contar isto. Before it was too little, too late.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A Qviquie

18:30, em casa, estou eu e o francês, Joseph

"Rosé, tienes papeles?"

"Si tío."

"No, para escribir."

Silêncio. Cara de espanto.

"Ah, vale, creo que si Joseph, tiengo".

(Com direito a título para fans de Rounders)

What is beauty?


A luz de Barcelona num dia feio, fotografia minha

What is beauty? Is it a measurable fact (Gottfried Leibniz), or merely an opinion (David Hume), or is it a little of each, colored by the immediate state of mind of the observer (Immanuel Kant)?

Gene Weingarten


O que vos vou mostrar agora, que não sei se já foi falado nas notícias em Portugal, é algo de, no mínimo, assombroso. Não tenho presente como é o metro em Lisboa hoje em dia, mas suponho que não haja muitos músicos, como há em Barcelona, a fazer da vida na rua parte do seu ganha-pão, tocando para um palco cujas dimensões se encontram delimitadas pela fronteira criada pelo som que o seu instrumento produz, visitado por multidões passageiras que raramente se interessam pelo que estão a ouvir.

Pois bem, e se em vez de um John Doe com uma guitarra, artista preso das opções apaixonadas tomadas na juventude, seduzido pelo ócio, traído pela vida, estivesse um músico consagrado, um dos melhores violinistas do mundo, com um violino avaliado em 3,5 milhões de euros, um Stradivarius, a tocar obras épicas de compositores como Bach ou Schubert? De certeza que as pessoas, mesmo as que não conhecessem música clássica, abdicariam de 5 minutos que fosse do seu tempo, formando-se uma multidão, rendida às qualidades do artista de rua. Ou não?

O Washington Post resolveu fazer a experiência, pondo Joshua Bell, um dos melhores violinistas da actualidade, com o seu Stradivarius de 3,5 milhões USD, numa paragem de metro de Washington, durante a hora de ponta matinal. O resultado? Das 1097 que passaram nesses 40 minutos, apenas 7 pararam para assistir -por alguns minutos- ao concerto, 27 deram dinheiro, e somente uma pessoa reconheceu o artista como sendo Joshua Bell, pese embora o músico se encontrar com um boné, jeans e t-shirt. E quanto é que facturou? 32 dolares e uns trocos (20 deles foram deixados pela única pessoa que percebeu a sorte que teve em presenciar aquele momento).

A notícia, com vídeos, está aqui. É algo longa, mas percam 15 minutos a lê-la e a ver os vídeos.

Será a beleza, a arte, relativa? Precisará de estar enquadrada num contexto próprio para que se dê conta dela, ou será que estamos tão enfiados na nossa rotina, no nosso quotidiano cinzento, que vamos deixando de lhe dar importância, vamos perdendo a capacidade de a ver? Ou, por outro lado, talvez vivamos num mundo em que as aparências nos viciam as opiniões, os gostos, e a mera improbabilidade de encontrar um músico genial no metro leva-nos a ignorá-lo, ou, pelo menos, a desconsiderá-lo a priori?Teria de estar com um fato impecável, num Teatro ainda mais impecável, em que as pessoas soubessem ao que iam, para que se pudesse constatar que realmente era fora-de-série?

Já agora, diz o artigo que "He's single and straight". Com esta cara de florzinha, a tocar violino, é roto de certeza. A única coisa relativa, neste caso, é se gosta muito ou pouco de levar no pacote.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Barcelonices

"Então Verão, tás porreiro?"
"Epah, por acaso não Rosé, tou cheio de calor."

Chegou o Verão a Barcelona. Que me fez desde já descobrir que há uma ou outra Erasmus que gosta de manter uma horta recém-plantada na sua axila (palavra genial, muito mais gira que sovaco, e que apetece repetir até que deixe de fazer sentido: áquessila, áquessila, áquessila). Mas não é uma horta qualquer. Não se trata daquela farfalhuda, já crescida, mas da que raspa ao toque, arranha. Acompanhada, em alguns casos, por um buço de fazer inveja a muito adolescente acabado de conhecer a puberdade.

Hoje acordei às 10 da manhã, fui às aulas todas até às 5, depois ao ginásio, e não fui sair. Amanhã levanto-me de ressaca, seguro.

VisualDNA



Estava a achar só giro, até que vi as conclusões resultantes dumas quantas escolhas que fiz. Basicamente o conceito passa por associar um conceito a uma imagem, imagem essa que corresponde à nossa ideia de algo, seja o amor, amizade, férias, you name it, e no fim é traçado o perfil da pessoa em questão. Espectacular.

Claro que o nosso VisualDNA fica um bocado condicionadas pelo nosso estado de espírito na altura - teremos apenas um, ou vários?- e há sempre a tentação de escolher, não tanto aquilo que gostamos, mas o que gostaríamos de gostar (todos mudariam qualquer coisa em si mesmos se lhes fosse dada a hipótese de se editarem). De qualquer maneira, experimentem, e digam qualquer coisa.

sábado, 14 de abril de 2007

Work of a genius


Ricky Gervais, o melhor comediante dos últimos anos. Ele, e Stephen Merchant, o seu shadow partner, igualmente genial. Kinda like Batman and Robin of British humour.

Não está sujeito a discussão.

Tão queridos



"Por acaso não tens aí uma mantinha?"

Bernardo Cordeiro


Chegaram aqui cheios de vontade. Disto, e daquilo.

Prontos para o que desse, diziam eles. E para o que viesse, também.

A querer mundos. E fundos.

Começam a arroxar em todos os cantos, tal é a bezana, a partir da uma da manhã. Literalmente.

A minha vontade de tratar bem os meus amigos que me visitam encontrou nestes dois pares de pestanas - blindadas por uma garotice fora de série - um obstáculo intransponível. Mas ficam tão queridos a dormir, os pequenotes.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Diálogo I


Donnie aims the crosshairs on Smurfette's head. He pulls the
trigger. Smurfette falls over.

RONALD: Wicked.
SEAN: No more fuckin' for her.
RONALD: Smurfette doesn't fuck.
SEAN: Bullshit. Smurfette fucks all the other smurfs. That's why Papa Smurf made her, 'cause the other smurfs were getting too horny.
RONALD: Not Vanity. He's a homo.
SEAN: Then she fucks 'em all while Vanity watches. And Papa Smurf films it.

DONNIE: First of all... Papa Smurf didn't create Smurfette. Gargamel did. She was sent in as Gargemel's evil spy, with the intention of destroying the smurf village. But the overwhelming Goodness of the Smurf Way of Life transformed her into the Smurfette we all know and love. And as for the whole gang-bang scenario... it just couldn't happen. Smurfs are asexual. They probably don't even have reproductive organs down there under those little white pants. The only reason they exist is because of magic spells and witchcraft... which is all a bunch of bullshit if you ask me. That's what's so illogical about the smurfs... what's the point of living if you don't have a dick?


Vi o Donnie Darko há uns dias. O que dizer de um filme que, marcando a estreia de um realizador (Richard Kelly) aos 26 anos, foi alvo de um director's cut, apenas 3 anos depois? A história é genial, agarra-nos do primeiro ao último minuto, faz-nos pensar do princípio ao fim, sem que no entanto nos desliguemos do filme. O que seria uma pena. É que há detalhes muito bons, como os que se passam durante as aulas, entre muitos, muitos outros. E há diálogos ainda melhores. E há Jake Gyllenhal, o próprio do Donnie, papel monstruoso. E também há Jena Malone, que cativa de uma maneira estranha. Se o seu primeiro filme conseguiu atingir este nível...que venham mais, e rápido. Por acaso já veio mais um, Southland Tales, está a sacar. Dolce far niente de Erasmus.

Dizque o director's cut está bastante melhor. Estou curioso.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

A piece of advice


Para todos os que só há pouco tempo começaram a ver Heroes, um conselho: aproveitem bem cada episódio e tentem, por mais que vos custe, só ver um por semana ou algo do género.

É que, para os que como eu que já paparam e repaparam os 18, esta espera de mais de um mês pelo episódio novo, que só sai no dia 23 de Abril, está-se a tornar num martírio.

E já agora, muito obrigado à Nikki Sanders, e à morena que aparece nos últimos episódios. Vêem-se bem.

Rapidinha musindiecal


Metric é realmente bom. A voz dela é inacreditável (ela também é girita), e o ritmo falso rápido das músicas também. Outra coisa boa, que acreditem ou não faz diferença no long-run, é que não é preciso editar as músicas deles no ITunes, vêm com o nome impecável. Vantagens de serem do Canadá. As músicas brasileiras, por exemplo, vêm sempre com algum nome mal escrito ou por escrever. Diferenças culturais, curioso.

Arcade Fire também é bom, mas talvez seja mais difícil de se gostar. É daqueles grupos que não se pode pôr a música a meio para ver se se gosta. Não sei se isso é bom, se é mau, é assim. Tem de se ouvir a música do princípio ao fim, e há ali qualquer coisa que faz sentido. E o último CD deles, Neon Bible, esta muy bien.

E para las chicas, não só, mas sobretudo, Cansei de Ser Sexy. Quanto mais não seja, vale pelo nome.

Amanhã tenho um concerto de duas meninas não muito conhecidas, e que estou bastante curioso. A ver.

Indie is gooood. E Metric, joder, es de puta madre!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

No habemus caracolis


Gone with the scissors.