Quem me conhece, sabe que sou admirador confesso de Feist. Do seu timbre que conjuga, de forma surpreendente, o cristalino, a insustentável leveza da sua intensidade musical e o tosco, e da maneira como (desculpa Academia de Estrelas) consegue, sem grande esforço, pôr a alma na voz.
É por isso que, até hoje, não me tinha passado pela cabeça que alguém ousasse pegar numa música dela e tentasse, num registo - ainda por cima - semelhante, fazer o mesmo. Por maioria de razão, tampouco imaginaria que iria gostar mais dessa música, do que do original.
Pois bem, e não é que este biltre, que não tem outro nome, fez isso mesmo? E melhor, consegue fazer tudo isto, que não é pouco, a ostentar o nome de um jogador de ténis, o que só por si merece um ponto de bónus.
Senhor Aronofsky, Senhora Portman e Senhora Kunis, por esta ordem, um muito obrigado pelo espancamento que proporcionaram ontem à noite dentro da minha cabeça. É daqueles filmes que convém ir ver com uma psicóloga.
Não posso ainda deixar de soltar um valente impropério intelectual pelo facto de Barbara Hershey, mãe da Nina, não ter sido sequer nomeada para um Óscar. Mais lixado do que ela, só o Boss AC. Afinal de contas, tratava-se, muito provavelmente, do único filme de hollywood onde a sua música poderia fazer parte da banda sonora.
Já em relação a Vincent Cassel, o director da companhia de teatro, que mais não é do que tudo aquilo que Joaquim d'Almeida sempre tentou ser e nunca conseguiu, não tenho pena nenhuma que não tenha sido nomeado: é bem feito, que é para não seres guloso. Querias a Monica Bellucci, a Senhora Portman, a Senhora Kunis e um óscar?Estás aqui, estás a tentar entrar pela direita no Lux, campeão.
Já é a segunda vez que isto acontece. Aparentemente, na Holanda, sou mulher e, como se isso não fosse suficiente, estou casada. Só gostava era de conseguir perceber o porquê. Terá sido por causa da lua-de-mel de sábado?
Disseram-me, no outro dia, que tinha a coluna direita de mais. Ora, sabendo que isso pode acontecer, a expressão não deixa de ser contraditória e, mais, notoriamente estúpida.
Ao ouvir essas palavras lembrei-me, de imediato, dos gajos que usam óculos "porque vêem bem de mais". Sempre que ouvia dizer isto, pensava: "sim, és tu e o super-homem". Daí partia, inevitavelmente, para um diálogo imaginário na minha cabeça que não acabava nada bem para o avantajado interlocutor, com o qual não vos maçarei.
Importa apenas registar isto: tenho a coluna direita de mais. Sim, és tu e o Mário Jardel.
Descobri(mos), muito provavelmente, o sítio mais castiço e genuíno de Lisboa. Daqueles que, de tão bom que é, nem apetece partilhar. Não se trata de egoísmo, mas sim afecto.
Na porta, nada chama a atenção. Nem é suposto. Afinal de contas, se turista aqui entrou, entra ou haverá de entrar, não foi, não é e não será certamente chamado. Mas atenção: não quer isso dizer que não seja bem-vindo. Pelo contrário, se por acaso por ali passar e, reparando no tesouro mais bem escondido de Alfama, afortunadamente decidir entrar, será bem recebido como os outros, os do bairro - que compõem maioritariamente a casa, e ainda bem - e os de fora. A única condição? Deixar todo e qualquer pretensiosismo de fora. Porque quem ali entra, aceita Alfama como ela é, respeita-a e rende-se aos seus encantos. E se há coisa de que Alfama não gosta, é que a tentem mudar, ou que dela se queixem, sobretudo no que toca aos seus modos populares e genuínos. "Aguentem um terramoto, e depois venham falar comigo", parece dizer com a sua voz sinuosa.